Origem da cidade de Cajazeiras
No Alto Sertão do Oeste Paraibano, encravada na região do Rio do Peixe, afluente do Rio Piranhas, encontra-se a cidade cujo nome se originou de uma árvore família das Anacardiáceas (Spondeas Lutea). Seu fruto de cor amarelo-alaranjada, bastante apreciado pelos mais exigentes paladares, passa-nos, a idéia de que Cajazeiras são árvores a se erguerem solenes em busca do infinito celeste. Elas se ofertam a Deus numa demonstração inequívoca de amor e gratidão.
A antiga fazenda do casal Vital de Sousa Rolim e Ana Francisca de Albuquerque foi berço de Inácio de Sousa Rolim, símbolo maior da cidade cuja história já se faz conhecida. A casa que deu origem à povoação foi a primeira, entre tantas erguidas, a constituir uma comunidade dedicada às atividades pastoris e disposta a conquistar espaços delineadores do progresso.
O vocativo “Mãe Aninha”, dedicado à matriarca geradora de uma numerosa e importante prole, projeta exemplos a serem seguidos pelas mulheres de hoje: determinação, persuasão, disposição, dedicação e comportamento sempre pré-disposto a assumir responsabilidades e a manifestar decisões que se afiguravam raras, na época, mas que se fizeram transportar no tempo e serem herdadas pela figura representativa da mulher cajazeirense.
Mãe Aninha foi bondade, generosidade. É personagem importante nessa história! Possuía fidalguia moral ausente de enlevos de soberba. Deus nunca deixa de presentear a uma mãe possuidora de tamanha distinção, porque concedeu a um de seus filhos a oportunidade de seguir um trajeto de vida delineado por sucessivas realizações. Inácio nasceu em 22 de agosto de 1800 e passou sua infância como qualquer criança feliz, ao lado dos pais e irmãos. Desde cedo demonstrou exagerado interesse pelos estudos e aos dezesseis anos já falava, fluentemente, a língua francesa, originária do seu avô paterno. Dedicava-se também ao estudo do grego e do latim. Essa ânsia por conhecimentos motivou para que seus pais o encaminhassem à cidade do Crato-CE, onde recebeu a educação necessária para ingresso no Seminário de Olinda-PE. Foi na capital pernambucana em 1825, que ele se ordenou. O jovem padre de 25 anos fez-se poliglota, pois, além do francês falava também as línguas inglesa, alemã, italiana, espanhola, latina, o sânscrito, o hebraico e o tupi-guarani. Voltou à terra mãe, acalentando aspirações. Escolhera entre duas vertentes revolucionários aquela que seria a liberdade pelo esclarecimento de consciências. Por ser fiel a si mesmo, declinou a liberdade pelo engajamento político e indiferente às críticas resultantes de sua decisão, passou a conduzir o destino de um povo para a conquista de um fruto profícuo de idéias, baseadas no saber.
Em 1829, o Padre deu início ao encargo de sua consciência, passando a instalar uma sala de aula, considerada o embrião dos valores que se transformariam, com o tempo, através dos seus ensinamentos. A repercussão de sua obra alcançou fronteiras, forçando-o a ampliar o espaço na medida em que o número de jovens discípulos aumentava.
Em 1846, esse intento já se fazia notícia nas províncias de quatro estados: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, e isso o levou a transformar sua escola em colégio de instrução secundária.
Assim nasceu o primeiro colégio da Paraíba, e esse acontecimento levou Alcides Carneiro a cognominar Cajazeiras como “Cidade que ensinou a Paraíba a Ler”. O lugarejo foi crescendo e o progresso foi se vislumbrando aos olhos de todos, pois, em torno do colégio em menos de 50 anos apresentou-se na condição de vila, de sede de comarca e, finalmente, de cidade.
Padre Rolim passou a ser nome de projeção e ser consagrado como um sábio. Editou uma gramática grega que, modestamente, denominou-a de Extrato de Gramática Grega em sua primitiva pureza impressa em 1856 pela empresa de Henrique Plon (intitulada como Impressora do Imperador), em Paris. Escreveu e fez publicar a Gramática de Língua Portuguesa, o Tratado de Filosofia e o Tratado de Retórica. Aos 82 anos publicou o Tratado de História Natural, demonstrando, com isso, o seu interesse também pela Ciência.
O preito de reconhecimento oficial aos méritos do Padre Mestre se fez concretizar quando em 14 de março de 1860, por Decreto Imperial, Dom Pedro II condecorou-o com as insígnias da Ordem de Cristo, no grau de Comendador. Pouco tempo depois foi mais uma vez condecorado e, desta vez com a Ordem da Rosa, pelos relevantes serviços dedicados à educação.
Inteiramente indiferente aos bens materiais renunciou à fortuna que lhe cabia de direito, como herdeiro dos pais em favor dos seus irmãos. Entendia que já havia sido beneficiado com maior herança: sua educação.
O desenvolvimento do colégio promoveu a expansão urbana, e ainda que o flagelo da seca ou o surgimento do cólera-morbos tentassem abater a ânsia pelo desenvolvimento da Cidade, o Padre não se acomodava, promovendo arrojadas iniciativas e se dispondo a lutar contra essas intempéries. Construiu uma enfermaria ao lado do Colégio e lá assistia os necessitados, dando-lhes o necessário apoio como enfermeiro e como sacerdote.
Quando o peso da idade não mais lhe permitia desenvolver dignificantes ações, tanto no magistério como em outros impulsos pioneiristas, entregou-se ao recolhimento nas dependências do Colégio de onde saía apenas para visitações diárias às famílias no intuito de influenciar os pais a cumprirem o dever de enviar os filhos à escola. Ali viveu até 16 de setembro de 1889, quando faleceu em companhia dos livros que tanto amava.
O dia 22 de agosto consolida-se como o Dia da Cidade e vem, anualmente, propor aos cajazeirenses a justa homenagem àquele a quem devemos o registro de uma trajetória, baseada nas páginas memoráveis de uma vida. O roteiro dessa história se agrega ao soberano orgulho e a vontade de um povo que conduz nas veias o fervilhar inexorável da esperança, da inspiração e da fé dimensionada pela presença da cruz que o Padre Mestre sempre conduzia e que ainda hoje, delineia os caminhos propulsores do desenvolvimento da terra que ele sempre amara.
A cada aniversário, os cajazeirenses renovam o propósito de oferta ao Padre Mestre mais do que esforços característicos de ações ininterruptas. Á medida que o implemento cultural se realiza, os caminhos do progresso avançam, traçando uma realidade inconteste da dedicação e amor de cada um dos filhos a esta terra. |