Uma História de Veneraçãpo à Senhora da Piedade
Era uma tarde do dia 31 de janeiro 1937, portanto vinte e três anos após a formação da Diocese de Cajazeiras desmembrada da Diocese da Paraíba, quando o calendário cristão festeja o dia de São João Bosco. Na praça em frente à Escola Normal Nossa Senhora de Lourdes (primeira escola da cidade, hoje Colégio Nossa Senhora de Lourdes), a multidão de fiéis se aglomera para dar início à procissão. O Bispo Diocesano, D. João da Mata Andrade e Amaral, chega acompanhado dos padres Gervásio Coelho, Vicente Freitas e Acácio Rolim, sendo recebido pelo Pe. Francisco Ferreira de Andrade.
De forma contrita a procissão sai da Escola Normal, percorre a Rua Pe. Rolim indo até o terreno onde será construída a futura Catedral da Diocese de Cajazeiras. O terreno está situado entre o Palácio Episcopal e a residência do Dr.João Rolim Peba.
Ali chegando a procissão assiste a bênção da primeira pedra da catedral. Uma Santa Missa, presidida pelo Bispo Diocesano e acolitado pelos padres Gervásio Coelho e Vicente Freitas, marca o momento mais importante do evento. Entre os inúmeros fiéis, pessoas simples, do campo e de longínquas localidades da Diocese, além do prefeito municipal Joaquim Matos. Estes fatos estão narrados no Livro de Tombo da Catedral e foram registrados pelo Pe. Manuel Vigeria, a época vigário da Freguesia.
Tem início, portanto, a construção da Catedral, que por três décadas é erguida com o esforço da Igreja e a colaboração dos fiéis.
Em 1957, durante o retiro espiritual do Clero Diocesano de Cajazeiras o então Bispo D. Zacarias Rolim de Moura oficializa a decisão de dividir a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, transladando a sede da primitiva paróquia para a catedral nova, em construção. Na antiga sede da catedral é criada a atual Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
Provisão de 12 de janeiro de 1957 (portanto 50 anos completos), assinada pelo bispo Dom Zacarias Rolim de Moura, nomeia primeiro pároco da Catedral Nossa Senhora da Piedade o Pe. Francisco Paulo Lincarião. Às quatro da tarde do dia 20 de janeiro de 1957, nas celebrações do Santo Mártir Sebastião, uma procissão sai da antiga matriz para a nova catedral acompanhando a imagem de Nossa Senhora da Piedade, que seria entronizada a Padroeira da Catedral e da Diocese. Após a procissão uma missa solene dá seqüência a solenidade de posse do primeiro pároco, que tinha como paraninfos o Prefeito de Cajazeiras Antônio Cartaxo Rolim e o comerciante Antônio Aquino de Albuquerque.
Mesmo estando em fase de construção a Igreja começa a abrigar os ofícios religiosos. No livro de Tombo o Pe. Francisco Lincarião lembra que em períodos de inverno, a celebração da missa muitas vezes, reiteradas vezes, era interrompida pela água que entrava pelas janelas. Nessa época a igreja ainda não dispunha de janelas e o piso era terra batida. O Pe. Lincarião lembra ainda que a primeira casa paroquial foi uma adaptação de algumas dependências anexas, onde também é improvisado o arquivo da Catedral.
No primeiro dia de março de 1959 uma nova provisão do Bispo D. Zacarias Rolim de Moura nomeia o Cônego Vicente Freitas segundo pároco da Catedral, num ato testemunhado pelo Mons. Abdon Pereira, Cristiano Cartaxo Rolim e Antônio de Sousa Freitas.
O Cônego Vicente Freitas respondia, nesta época pela direção do Ginásio Diocesano de Pombal e, no mesmo dia em que foi nomeado pároco da Catedral veio a esta cidade acompanhado do Dr. Atêncio Wanderley Bezerra e outros cidadãos pombalenses. A solenidade de posse foi simples, acompanhada da bênção da imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que também é venerada na Catedral. Quando da posse estavam sendo realizados, nesta cidade, as Santas Missões, que tinham como pregadores os Frades Redentoristas.
No dia 23 de junho de 1959 o novo pároco da Catedral e o novo serviço de alto-falantes da igreja e no dia 03 de junho deste mesmo ano é inaugurado a instalação elétrica.
Em 31 de janeiro de 1960 o Cônego Vicente Freitas assume a direção do Colégio Diocesano Pe. Rolim (Ginásio Salesiano Padre Rolim), que tinha sido entregue pelos padres salesianos encerrando suas atividades como pároco da Catedral. O posto é assumido pelo bispo diocesano, D. Zacarias Rolim de Moura, que passa a contar com a colaboração de vigários colaboradores em razão da grande carência de padres na Diocese. Dessa forma, provisão de 02 de fevereiro de 1964 nomeia vigário cooperador o Pe. José de Sousa Neto e, em 1965, é nomeado vigário cooperador o Pe. Antônio Luiz do Nascimento.
O Livro de Tombo registra, durante o período em que foi vigário da Catedral o bispo diocesano, a realização, no dia 17 de novembro de 1961, sob a presidência de Dom Zacarias, e com a participação do vigário geral da Diocese, Mons. Abdon Pereira, da 1ª Assembléia Geral paraa criação da Associação Profissional dos Trabalhadores Rurais, ou seja, a Frente Agrária que seria preparatória para a criação do Sindicato Rural de Cajazeiras. A assembléia teve a expressiva participação de autoridades e representantes de classe, sacerdotes e grande multidão de trabalhadores rurais do município e de municípios vizinhos. A Frente Agrária seria uma associação de classe que teria como objetivo promover a “laboriosa classe dos trabalhadores (rurais) do campo e reivindicar seus justos interesses legais e defendê-los”.
No dia 08 de maio de 1966 a tradicional missa da noite do domingo serve como solenidade para a posse do novo pároco da Catedral, o Cônego Vicente Freitas, que retorna ao comando da Igreja. Alguns meses depois, mais precisamente no dia 05 de agosto de 1966 o novo pároco da catedral lança a campanha para o pagamento do relógio que estava sendo instalado na torre da igreja. O contrato de compra havia sido feito com o Sr. Moisés Tomaz bispo Vila Nova, da cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará. A montagem do relógio na torre começou no dia 17 de julho de 1967 e seu funcionamento experimental foi no dia 05 de agosto, com a solenidade de bênção e inauguração ocorrendo no dia 05 de setembro de 1967. No Livro de Tombo da Catedral, o Cônego Vicente Freitas registra: “o relógio é o cronômetro da cidade, principalmente dos operários.”
No dia 15 de julho de 1968 assume provisoriamente o comando da Catedral o Pe. Solon Dantas de Freitas, sendo substituído, também provisoriamente, pelo Pe. José Loureiro Lopes.
O dia 08 de junho de 1969 marca posse, na condição de pároco efetivo da Catedral o Cônego Luiz Gualberto de Andrade, que fica no comando da paróquia por um período de 07 anos e 19 dias. Além de consolidar as instalações físicas da catedral, o pároco teve uma preocupação com o lado espiritual dos fiéis. No livro de Tombo ele enfatiza que este período foi marcado por inúmeras missões comandadas pelo Frei Capuchinho Damião Bozano.
No dia 27 de junho de 1976 o Pe. Gervásio Fernandes de Queiroga assume o comando da Paróquia Nossa Senhora da Piedade. Fazendo um balanço da sua missão ele assim escreveu no Livro de Tombo: “ Procurei fazer a evangelização e a conscientização social e não somente as pregações (...) mas também e principalmente através de um programa radiofônico”.
Por mais de dois anos o Pe. Gervásio permanece a frente da paróquia, sendo substituído, no dia 06 de setembro de 1979, pelo Pe. Antônio Luiz do Nascimento. A sua posse foi solenidade realizada durante a tradicional missa de domingo à noite, na Catedral, vindo deixar o posto dia 19 de março de 2004 para o então pároco da Catedral, Pe. Agripino Ferreira de Assis, após quase vinte e cinco anos no comando da Catedral, também assumindo, ao longo desses anos a Administração da Diocese de Cajazeiras deixada por Dom Matias Patrício de Macedo no ano de 2002, quando ocasião da sua transferência para Diocese de Campina Grande até a posse do atual bispo da Diocese de Cajazeiras, D. José Gonzalez Alonso. |